Saga da Amazônia

Composta por Vital Farias (1982), Saga da Amazônia denuncia a exploração desenfreada da floresta Amazônica.

Saga da Amazônia from Wisley on Vimeo.

Saga da Amazônia (Vital Farias, 1982), em arranjo para violão de Wisley Vilela

Era uma vez na Amazônia a mais bonita floresta mata verde, céu azul
a mais imensa floresta, no fundo d’água as Iaras
caboclo lendas e mágoas, e os rios puxando as águas

Papagaios, periquitos, cuidavam de suas cores
os peixes singrando os rios, curumins cheios de amores
sorria o jurupari, uirapuru, seu porvir
era: fauna, flora, frutos e flores

Toda mata tem caipora para a mata vigiar
veio caipora de fora para a mata definhar
e trouxe dragão-de-ferro
prá comer muita madeira
e trouxe estilo gigante
prá acabar com a capoeira

Fizeram logo o projeto sem ninguém testemunhar
prá o dragão cortar madeira e toda mata derrubar
se a floresta meu amigo
tivesse pé prá andar
eu garanto, meu amigo
com o perigo não tinha ficado lá

O que se corta em segundos gasta tempo prá vingar
e o fruto que dá no cacho prá gente se alimentar?
depois tem o passarinho
tem o ninho, tem o ar
igarapé, rio abaixo
tem riacho e esse rio que é um mar

Mas o dragão continua a floresta devorar
e quem habita essa mata, prá onde vai se mudar?
corre índio, seringueiro
preguiça, tamanduá
tartaruga: pé ligeiro
corre-corre tribo dos Kamaiurá

No lugar que havia mata hoje há perseguição
grileiro mata posseiro só prá lhe roubar seu chão
castanheiro, seringueiro já viraram até peão
afora os que já morreram como ave-de-arribação
Zé de Nana tá de prova naquele lugar tem cova
gente enterrada no chão:

Pos mataram índio que matou grileiro
que matou posseiro disse um castanheiro                         (BIS)
para um seringueiro que um estrangeiro
roubou seu lugar

Foi então que um violeiro chegando na região
ficou tão penalizado que escreveu essa canção
e talvez, desesperado com tanta devastação                        (BIS)
pegou a primeira estrada sem rumo, sem direção
com os olhos cheios de água
sumiu levando essa mágoa dentro do seu coração

Aqui termina essa história para gente de valor
prá gente que tem memória, muita crença, muito amor
prá defender o que ainda resta sem rodeio, sem aresta
era uma vez uma floresta na Linha do Equador

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