Caliban – Tradução Intersemiótica de Diálogos em “A Tempestade”


Caliban – Uma tradução intersemiótica dos diálogos entre Caliban e Próspero

Caliban é um dos personagens principais da peça “A Tempestade”, uma comédia de William Shakespeare (c. 1611). Do ponto de vista de Próspero, Caliban é um selvagem que não se ajusta ao seu “mundo civilizado”.

Próspero e sua filha Miranda ensinaram sua linguagem a Caliban: inútil linguagem, exceto para xingamentos: “Vocês me ensinaram a linguagem e a única vantagem que ela me traz é eu saber amaldiçoar” (Caliban, Ato 1, Cena 2).

Caliban era proficiente em usar a língua para seus próprios interesses, tais como tentar subornar Estéfano para tomar partido contra Próspero. Mas ele não via benefício em qualquer coisa procedente do “mundo civilizado”.

A tradução intersemiótica Caliban busca e verter em forma musical os insolúveis conflitos entre Próspero e Caliban.


A História do Termo “Canibal” como Reflexo da Antropologia Colonial e Racista

A história da palavra “canibal” ilustra como a linguagem pode ser utilizada como uma ferramenta de poder e de desumanização em contextos coloniais e racistas. O termo, originário da palavra “caribe”, que significa “ousado” na língua dos povos indígenas caribenhos, sofreu uma deturpação por parte dos colonizadores europeus, que o associaram à prática de canibalismo, atribuída aos indígenas.

Essa associação entre o termo “canibal” e a imagem de indígenas como seres selvagens e bárbaros reflete a visão distorcida e preconceituosa que os colonizadores tinham dos povos nativos. O processo de colonização, como demonstrado pelo conceito de tekoha discutido na Carta Guarani Kaiowá, implica imposição de uma nova ordem cultural e linguística, subjugando os povos colonizados e deslegitimando seus saberes e modos de vida.

A atribuição da prática de canibalismo aos indígenas serviu como justificativa para a violência colonial e a desumanização dos povos nativos. A imagem do “canibal” reforçava a ideia de que os indígenas eram inferiores e selvagens, legitimando a dominação europeia e a exploração de seus territórios e recursos.

Na peça “A Tempestade”, de Shakespeare, o personagem Caliban, cujo nome é um anagrama de “canibal”, é retratado como um ser deformado e escravizado. Essa representação perpetua a associação entre a ideia de canibalismo e a imagem negativa dos povos colonizados, reforçando o discurso colonialista e racista.

A história do termo “canibal”, portanto, demonstra como a antropologia colonial se baseava em preconceitos e estereótipos para justificar a dominação europeia. A linguagem era utilizada como instrumento de poder, criando uma narrativa que desumanizava os povos colonizados e os colocava em uma posição de inferioridade em relação aos europeus. Essa visão distorcida da realidade contribuiu para a perpetuação de relações de poder desiguais e para a exploração dos povos indígenas e africanos durante séculos.

3 comentários em “Caliban – Tradução Intersemiótica de Diálogos em “A Tempestade””

  1. Muito obrigada pelo excelente texto e pela generosidade de disponibilizar a íntegra de uma apresentação da peça, dentro do lendário Globe. Gosto de pensar na Tempestade como Neil Gaiman descreveu uma vez, dentro da série de quadrinhos Sandman: Ela seria parte do “pagamento” que Shakespeare faria ao próprio Sonho, em troca do poder de escrever peças que encantariam o mundo. A história de um rei, que abdica de seu trono. Na HQ, ele seria um espelho do Rei dos Sonhos, título que, em certa medida, se aplicaria ao Bardo também.

    1. Oi Gisele!
      Peço desculpas pela demora em responder. Na verdade, acabo de ler pela primeira vez seu muito interessante comentário. Muito obrigado por apontar a intertextualidade entre “A Tempestade” e a os quadrinhos de Gaiman. Não estou tive ainda oportunidade de conhecer a série. Seu comentário despertou minha curiosidade. Este link aponta para um artigo que pretendo ler: https://staffprofiles.bournemouth.ac.uk/display/chapter/13956
      É curiosa essa visão à moda de Fausto da oferta de algum sacrifício como barganha por um prêmio para fins que parecem puramente “egoístas”.
      Obrigado pela visita ao site e por tomar tempo para postar seu comentário!
      Grande abraço!

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