Escrevo todos os dias
Não escrevo pra ser lido
Serragem, não importa… estou moído por dentro, madeira de lei não posso n’osso
Escrevo do coração escravo
Vazio o que do oco sai e enche linhas de sambaíbas com ninhos de guacho a mão vadia
Não tem fim meu pensar, final também não tem
Transparente, nada oculto, nada conto
A rua é sempre deserta, sempre fechado o portão
Não vejo os rastros de quem me mostrou seus belos pés e o caminho que ainda quero tanto trilhar
Nada vejo… meu só sentir ao opróbrio me lançou, expropriado do amor que lança lá na lata de lixo o portão 241